5 de abril de 2026

Fumetsu No Anata e - O que Achou da 3º Temporada?

     Depois de séculos em um sono profundo, Fushi desperta em um mundo moderno irreconhecível, tomado por arranha-céus e tecnologia. Porém, o verdadeiro choque não é o cenário, e sim a forma como a velha ameaça se manifesta. Os Nokkers não são mais monstros errantes; eles agora estão infiltrados na sociedade, manipulando a política e as humanos. 

   Fushi alcançou um poder imenso e é visto quase como uma divindade. No entanto, sua força é colocada à prova da forma mais cruel: diante de inimigos que já não podem ser simplesmente "eliminados". Os Nokkers se escondem dentro de pessoas, vivendo como parasitas emocionais. Um dilema moral dilacera Fushi: como ele pode destruir um monstro que chora, sente dor e jura proteger uma pessoa que ama? A dúvida sobre o que realmente define a humanidade o impede de agir com a certeza de antes. 

     Aprisionada Pelo Próprio Sangue Mizuha, a jovem herdeira da linhagem de Hayase, carrega um fardo trágico. Ela é a porta-voz involuntária dos Nokkers, que se entrincheiraram dentro de seu corpo para usar sua influência. Sua história é de solidão: rejeitada pela família verdadeira, ela encontra afeto e reconhecimento apenas na criatura que a possui. Nesse novo mundo, a luta de Fushi contra os Nokkers se torna, na verdade, uma luta para libertar a própria alma de Mizuha das garras de seu sangue.

     É impossível não comentar o quanto a busca incessante de Fushi pela redenção de Mizuha é irritante e exaustiva. Eu quase desisti do anime por conta de toda essa enrolação. O anime gira quase que inteiramente em torno dela. Toda a história dela, é forte e envolve o espctador, no entanto, dava pra simplesmente ter explorado o assunto e sguido com o plot central. Acabou que o enredo sonega toda a trajetória dos outros personagens que circulam o protagonista. 

     No mais, o anime perdeu sim qualidade, a animação caiu consideravelmente se comparada as temporadas anteriores. Nos resta aguardar a quarta e última temporada, que dá mais um salto no futuro, encerrando de vez a jornada desta criatura que de um orbe, se torna Deus.

Battle Royal High School-OVA (1987)

Battle Royal High School

Riki usa máscara de leopardo e quer ser o maior lutador do mundo. Mas quando um lorde demônio surge como seu sósia e decide usar seu corpo, sua escola vira um campo de batalha interdimensionais entre um samurai exorcista e um policial do espaço-tempo. E, só pra completar, uma rainha das fadas trai todo mundo e transforma colegas de classe em monstros. Tudo isso em 60 minutos.

Cena de luta

É a definição de "mais OVA impossível": pancadaria frenética, animação detalhada e a estética sombria do final dos anos 80. A direção é do Ichirō Itano (famoso pelo "Itano Circus" de mísseis), e o time de peso inclui Nobuteru Yūki no design e Shirō Sagisu na trilha sonora. Só que é uma adaptação condensada de um mangá de 4 volumes. A trama é um embrulho tão confuso que parece um episódio piloto apressado. O vilarejo parece uma caixa de areia onde tudo acontece sem muito propósito, e os personagens, visualmente parecidos, se misturam numa bagunça só. Mesmo assim, a porradaria final com body horror no nível Akira e aquela animação fluida te lembram por que essa época era única. É trash, despretensioso e um belo achado para quem curte essa nostalgia caótica.

Armadura high-tech

Eu vi neste fim de semana e recomendo demais! A animação é corrida, e, como dito antes, os personagens são parecidos, o que causa uma leve confusão mental, mas não atrapalha em nada a trama, que é bem animada e emocionante. Ainda tem personagem de armadura high-tech e muito mais. A cena do Riki recriando uma colegial das entranhas é chocante. Vale muito a pena. Recomendadíssimo!

Yomi no Tsugai (Daemons of the Shadow Realm) – Estreia da Crunchroll

Yomi no Tsugai

Em uma vila remota nas montanhas, sob o olhar vigilante de dois guardiões de pedra, o jovem Yuru vive uma vida simples e idílica, caçando para sustentar a comunidade e mantendo-se próximo da única família que lhe resta: Asa, sua preciosa irmã gêmea. Asa, por sua vez, cumpre um misterioso "dever" em nome da vila, trancada em uma jaula. Por que Asa é uma prisioneira? E que outros segredos o lar aparentemente idílico de Yuru esconde?

A tranquilidade é destruída quando monstros mecânicos descem dos céus e homens armados com armas letais invadem a vila, massacrando seus habitantes em busca de Yuru. Ao chegar para salvar sua irmã, Yuru se depara com uma garota que afirma ser a verdadeira Asa. Resgatado pelo misterioso comerciante viajante Dera, Yuru é forçado a despertar seus próprios Tsugai, seres que podem ser traduzidos como demônios/gênios (entidades sobrenaturais que vêm em pares) para sobreviver. Agora lançado em um mundo desconhecido, Yuru precisa descobrir a verdade sobre os Tsugai, sobre sua irmã e sobre o destino que o aguarda como uma das "crianças que separam o dia e a noite".

Cena de ação

Hiromu Arakawa dispensa apresentações. Criadora de Fullmetal Alchemist, amplamente considerado um dos melhores mangás/animes de todos os tempos, e de Silver Spoon (um slice-of-life aclamado pela crítica), Arakawa retorna ao gênero fantasia com Yomi no Tsugai, sua primeira incursão no gênero desde o fim de FMA. E a expectativa, naturalmente, é altíssima.

Diferente de Fullmetal Alchemist, que começa com uma tentativa fracassada de transmutação humana, Yomi no Tsugai abre com uma violência chocante e imediata. Soldados armados até os dentes invadem uma vila isolada e executam moradores indefesos. O primeiro episódio não poupa sangue, gore ou tensão — prepare-se para ver pessoas sendo "mordidas ao meio por um par de dentaduras flutuantes gigantes invisíveis". É um tom que estabelece desde o início: este não é um mundo gentil.

Yuru e Asa

Diferente de Edward e Alphonse Elric, que cresceram juntos e desenvolveram uma codependência absoluta, Yuru e Asa são estranhos um para o outro. Isso cria uma dinâmica fraternal completamente nova no repertório de Arakawa, com ambos os gêmeos recebendo igual desenvolvimento, algo que não acontecia em FMA, onde Edward frequentemente roubava a cena.

Um dos elementos mais criativos da série é a perspectiva de Yuru. Criado em uma vila isolada sem contato com o mundo exterior, ele vê aviões como "dragões no céu" e carros como "feras mecânicas". Essa estrutura de "reverse isekai" — um personagem do passado/rural sendo jogado no mundo moderno — oferece tanto momentos de alívio cômico genuíno quanto uma reflexão mais profunda sobre como a civilização se afastou de crenças antigas em favor do avanço tecnológico.

Protagonista imediatamente cativante, Yuru não é um garoto amargurado ou excessivamente ingênuo. Ele é competente, gentil e leal — um caçador habilidoso que cuidava de sua vila. Sua força não vem de um desejo de vingança, mas de uma necessidade de proteger e entender.

Tsugai

Os Tsugai de Yuru, baseados em Fujin (deus do vento) e Raijin (deus do trovão) do folclore japonês, são personagens por si só. Eles servem tanto como poder de combate quanto como alívio cômico, comentando as descobertas de Yuru sobre o mundo moderno com um sarcasmo que lembra os melhores momentos de apoio de FMA.

O comerciante viajante Dera é o "guide character" que explica o mundo a Yuru, enquanto Gabby, descrita como uma "versão feminina e ligeiramente mais desequilibrada de Edward Elric", promete ser um furacão de energia caótica.

A colaboração entre Arakawa, Bones, Aniplex e Square Enix é a mesma que produziu Fullmetal Alchemist: Brotherhood (2009-2010). Selo de qualidade inegociável. O estúdio Bones Film, uma divisão específica do Bones responsável por cinematics e projetos de alta prioridade, está no comando da animação. O diretor Masahiro Andō (Sword of the Stranger) traz sua experiência em cenas de ação fluidas e coreografadas com precisão cinematográfica.

Capa do mangá

Arakawa manteve seu estilo característico de design de personagens, o que significa que fãs de FMA se sentirão imediatamente em casa. Yuru tem um visual que lembra Riza Hawkeye, e as expressões cômicas "super deformed" (SD) continuam presentes. No entanto, há evoluções notáveis: os fundos recebem mais atenção que o habitual para um shonen, e o uso de sangue e violência é mais explícito. As sequências de luta são "mais rápidas e brutais" que as de FMA. A trilha sonora é composta por Kenichiro Suehiro (Re:ZERO, Golden Kamuy), conhecido por sua capacidade de alternar entre momentos de tensão opressiva e beleza melancólica. A abertura, "Tobu Toki" (Time to Fly), é interpretada por Vaundy (um dos maiores nomes do J-pop contemporâneo), enquanto o encerramento, "Tobō yo" (Let's Fly), fica por conta de Yama, conhecida por seu trabalho em Chainsaw Man. Ambas as músicas já foram elogiadas por capturar o tom épico e melancólico da série.

Diferente de Fullmetal Alchemist (2003), que superou o mangá e precisou criar um final original, Yomi no Tsugai não enfrenta esse problema. O mangá já possui mais de 50 capítulos publicados (12 volumes), e a adaptação está seguindo o material fonte de forma fiel, com o primeiro episódio sendo uma reprodução praticamente painel-por-painel do capítulo 1 do mangá.

Yomi no Tsugai representa Hiromu Arakawa fazendo o que faz de melhor: criar mundos ricos, personagens memoráveis e explorar temas filosóficos sem nunca perder o senso de diversão. A diferença é que, desta vez, a autora parece mais disposta a chocar, a subverter expectativas e a entregar um tipo diferente de história — mais brutal, mais misteriosa e, em alguns aspectos, mais madura.

Com a garantia de qualidade da Bones e um elenco estelar, esta é uma estreia que merece sua atenção. A Crunchyroll acertou em cheio ao garantir os direitos de streaming global, e a série tem todos os ingredientes para se tornar o grande shonen da temporada.